Muita gente abre o aplicativo de delivery animada com o volume de pedidos e fecha o mês sem entender por que o caixa não cresceu. O iFood pode trazer movimento real, mas movimento não é lucro. Antes de criar uma promoção ou colocar novo produto no cardápio digital, vale parar cinco minutos e fazer uma conta simples. Esse artigo te mostra como.

Volume alto, caixa vazio: como isso acontece

O aplicativo de delivery é uma vitrine enorme. Você aparece para clientes que nunca ouviram falar do seu negócio, recebe pedidos enquanto cozinha e tem uma operação que roda quase sozinha. Parece ótimo, e pode ser. O problema começa quando o dono olha para o extrato e não consegue explicar onde foi o dinheiro dos pedidos.

A resposta costuma estar em três lugares: a comissão da plataforma, o custo de embalagem e as promoções. Cada um desses itens, sozinho, parece pequeno. Juntos, podem virar a maioria da margem do pedido, e o mês fecha com movimento no caixa, mas sem sobra real.

O que come a sua margem sem avisar

Comissão da plataforma: o iFood cobra entre 12% e 27% do valor do pedido, dependendo do plano contratado. Se você vende um prato de R$ 30 no plano mais caro, já saem até R$ 8,10 antes de pagar um ingrediente sequer.

Embalagem: entrega pede embalagem específica, que mantém temperatura e chega apresentável. Uma marmita com tampa segura pode custar entre R$ 1,50 e R$ 4 por pedido. Parece pouco. Em cem pedidos no mês, são até R$ 400 que somem silenciosamente.

Promoções e cupons: frete grátis, desconto de 10%, combo especial. Essas ações aumentam visibilidade, mas o desconto sai do seu bolso, não da plataforma. Um cupom de 15% em cima de uma margem já apertada pode virar prejuízo sem que você perceba.

Taxa de entrega subsidiada: em alguns planos, você absorve parte do custo da entrega. Verifique o que está no seu contrato antes de ativar qualquer campanha.

Movimento sem margem é trabalho de graça. Antes de empurrar volume, entenda quanto sobra de cada pedido.

Se você não sabe exatamente quanto sobra de cada pedido no iFood, o Diagnóstico Karkará faz essa leitura com você: entende o contexto do seu negócio, aponta onde a margem está vazando e indica o caminho para crescer de forma sustentável.

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Como calcular quanto sobra de verdade

A conta é simples. Pegue um produto do seu cardápio digital e siga o passo a passo:

  1. Anote o preço de venda no app (exemplo: R$ 35)
  2. Desconte a comissão da plataforma (exemplo: 20% = R$ 7)
  3. Desconte o custo da embalagem (exemplo: R$ 2,50)
  4. Desconte o custo dos ingredientes, o chamado CMV (exemplo: R$ 12)
  5. O resultado: R$ 35 menos R$ 7 menos R$ 2,50 menos R$ 12 = R$ 13,50

Esses R$ 13,50 ainda precisam cobrir mão de obra, energia, gás e uma fatia dos custos fixos. Se sobrar algo depois de tudo isso, aí é lucro. Se não sobrar, você está subsidiando o pedido sem perceber.

Uma dica prática: crie uma planilha simples, mesmo que seja no papel, com esses quatro campos para cada item do cardápio digital. Revise os números a cada três meses ou sempre que um fornecedor mudar o preço de algum ingrediente. Custo de ingrediente sobe, margem do app despenca.

O que vale colocar no cardápio digital (e o que não vale)

Pense no cardápio do delivery como uma vitrine curada, não uma cópia do cardápio presencial. Cada item precisa justificar o espaço que ocupa. Com a comissão e a embalagem já descontadas, a lógica do que vender muda bastante:

Comece hoje

Escolha o produto mais vendido no seu cardápio do iFood agora. Anote o preço de venda, desconte a comissão do seu plano, subtraia o custo da embalagem e o custo dos ingredientes. Se o número final cobrir os custos variáveis e ainda sobrar algo para os fixos, você tem uma base saudável para crescer. Se não sobrar nada, ou se o resultado ficar negativo, você já sabe o que ajustar antes de investir em qualquer promoção ou anúncio. Essa conta de cinco minutos pode mudar a direção do seu mês.