Marcas de todos os tamanhos estão pagando pessoas comuns para criar vídeos e fotos autênticas, não para postar nas próprias redes, mas para a marca usar nos anúncios e perfis dela. Esse mercado tem um nome: UGC. E o que poucos criadores sabem é que seguidores não são o critério principal para fechar as primeiras parcerias. O que vale mesmo é a capacidade de entregar um conteúdo bom, natural e que faça o produto parecer real.
O que é UGC e por que marcas estão investindo nisso
UGC é a sigla para User Generated Content, conteúdo criado por pessoas reais, não por estúdios nem agências. Uma review sincera filmada com o celular, um unboxing, um tutorial caseiro: tudo isso é UGC.
Marcas descobriram que esse tipo de conteúdo converte mais do que peças polidas. Quando alguém real mostra um produto com vocabulário simples, o consumidor se reconhece ali. E é por isso que empresas pagam por isso, mesmo quando o criador tem poucos seguidores.
A diferença principal entre o influenciador e o criador de UGC é esta: o influenciador vende o próprio alcance. O criador de UGC vende o conteúdo. A marca compra o material e usa como quiser, inclusive nos anúncios pagos dela.
Você não precisa de milhares de seguidores
Esse é o ponto que mais surpreende quem está começando. Para fechar as primeiras parcerias de UGC, seguidores não são o critério principal. O que a marca quer saber é: você consegue entregar um vídeo com boa iluminação, áudio limpo e uma narrativa natural?
Conteúdo bom vende produto. Seguidores vendem o criador. UGC é sobre o primeiro.
Isso abre a porta para qualquer pessoa que consiga criar com consistência, mesmo que ainda esteja construindo a própria audiência. O portfólio fala mais alto do que o número de curtidas.
Como montar o seu portfólio do zero
Sem parcerias anteriores, você cria exemplos por conta própria. Escolha de três a cinco produtos que você já usa no dia a dia e grave vídeos como se tivesse sido contratado. Não precisa ser longo: 30 a 60 segundos é o padrão mais pedido.
Pense nos formatos que marcas usam com frequência:
- Review honesta: você testa o produto e fala o que funciona e o que poderia melhorar.
- Unboxing: abre o pacote pela primeira vez e mostra a experiência de receber.
- Tutorial rápido: ensina como usar, passo a passo, de forma simples.
- Antes e depois: ideal para produtos de beleza, limpeza ou organização.
Salve esses vídeos em uma pasta organizada e crie uma página simples, ou até um perfil no Instagram só para portfólio, onde a marca possa assistir sem precisar pedir arquivo por mensagem.
O Kit Presença Digital da Karkará tem o passo a passo para estruturar sua presença online e começar a atrair marcas com o que você já tem hoje.
Conhecer o Kit →Como abordar as primeiras marcas
Com o portfólio pronto, o próximo passo é o contato direto. Você não precisa esperar a marca te encontrar. Mapeie empresas menores, do seu nicho, que vendem online e que já investem em conteúdo nas redes sociais. Esses são os melhores alvos para começar.
A mensagem de abordagem precisa ser curta e objetiva. Apresente quem você é, mostre um ou dois exemplos do portfólio e deixe claro o que você entrega. Evite pedir "parcerias" de forma genérica. Diga o que você faz: "Crio vídeos de 30 a 60 segundos para usar em anúncios e stories. Aqui estão dois exemplos."
Plataformas de UGC como Billo e Insense também conectam criadores a marcas que já estão procurando esse tipo de serviço. Vale se cadastrar enquanto faz a prospecção direta.
Quanto cobrar nas primeiras parcerias
Não existe tabela única, mas há parâmetros que ajudam a não se desvalorizar logo no começo. O preço varia conforme o formato, a quantidade de vídeos e se a marca vai usar o conteúdo em anúncios pagos ou só no orgânico.
Para quem está começando, um ponto de partida razoável é:
- 1 vídeo simples, sem direitos de anúncio: entre R$150 e R$300.
- 1 vídeo com licença para anúncios: entre R$300 e R$600.
- Pacote com 3 vídeos e direitos incluídos: entre R$800 e R$1.500.
Esses valores sobem conforme você acumula casos reais. O importante é não fazer de graça, mesmo no início. Trabalho tem valor, e isso precisa ficar claro desde a primeira negociação.
Comece hoje
Pegue um produto que estiver perto de você agora, o que estiver na sua mesa, no banheiro ou na cozinha, e grave um vídeo de 45 segundos mostrando como você usa, o que gosta e o que melhoraria. Não edite demais. Seja natural. Salve esse vídeo como o primeiro item do seu portfólio. Com três exemplos prontos, você já tem o suficiente para entrar em contato com a primeira marca.